CIRURGIA DIABETES

O diabetes do tipo 2 (DM2) envolve um grupo de doenças metabólicas com etiologias diversas, caracterizado por hiperglicemia (aumento da glicose no sangue) que resulta de uma secreção deficiente de insulina pelas células β do pâncreas ou pela sua secreção normal ou aumentada, porém com aumento da resistência periférica à ação da insulina. O diabetes está associado com o dano de vários órgãos, principalmente os olhos, rins, coração, cérebro e artérias.

O DM representa a epidemia não infecciosa mais importante da atualidade, constitui-se em um dos mais sérios problemas de saúde, tanto em termos de número de pessoas afetadas, incapacitações, mortalidade precoce, como dos custos envolvidos no seu controle e no tratamento de suas complicações. Ainda pior é o fato dos pacientes serem atingidos na faixa etário adulto maduro, a idade mais produtiva de suas vidas.

Quais as complicações do Diabetes?


Pé Diabético e Amputações
Trata-se de doença caracterizada por apresentar na sua evolução natural uma piora progressiva decorrente principalmente do dano microvascular (pequenos vasos sanguíneos). Representa a principal causa de amaurose (cegueira) devido à retinopatia; da necessidade de hemodiálise devido à nefropatia (insuficiência dos rins); e de amputações das pernas devido às lesões vasculares. A diminuição da expectativa de vida em indivíduos diabéticos é de cerca de 8 anos.


Insuficiência Renal Hemodiálise
80% a 90% dos pacientes são diabéticos do tipo 2, ou seja, normalmente independe da insulina, porém ela pode ser necessária com o avançar da doença. Estes pacientes apresentam com grande freqüência a Síndrome Metabólica, caracterizada por um aglomerado de fatores (dislipidemia, obesidade abdominal, resistência insulínica, tolerância alterada à glicose ou diabetes e hipertensão), implicando em risco cardiovascular elevado.


Retinopatia Diabética
Em conseqüência das complicações crônicas, os diabéticos apresentam em comparação à população não diabética, elevada morbidade, perda de visão, insuficiência renal em estágio terminal, amputação não traumática dos membros inferiores, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Desta forma nestes pacientes a mortalidade costuma ser de duas a três vezes maiores com importante redução na expectativa de vida. Essa evolução indesejada do diabetes poderia ser amenizada ou parcialmente evitada pelo seu diagnóstico e tratamento precoces e de suas complicações.

Muitos pacientes são afetados?

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência mundial da doença tem tido crescimento em proporções epidêmicas e geométricas. Atualmente existem cerca de 150 milhões de diabéticos no planeta e estima-se que no ano 2025 teremos aproximadamente 300 milhões. Já no Brasil, aproximadamente 4,6 milhões de pessoas tinham DM no ano 2000 e a previsão é de que em 2030 esse número tenha no mínimo duplicado.

Tratamento do Diabetes Tipo 2:

Alimentação adequada, exercícios físicos regulares e modificações no estilo de vida constituem o tratamento inicial para normalizar os níveis de glicose no sangue e redução de peso. Os medicamentos ditos hipoglicemiantes são introduzidos quando o tratamento inicial não é efetivo em manter os níveis glicêmicos em valores normais ou próximos deste. Essas medicações podem ser associadas para melhor efeito.

Com a disseminação da cirurgia bariátrica, observou-se que pacientes diabéticos logo após a cirurgia apresentavam melhora importante e resolução da hiperglicemia (aumento da glicose no sangue).


Cirurgia de Rubino
A cirurgia bariátrica é o método mais eficaz para os pacientes diabéticos com IMC maior que 35Kg/m2. Procedimentos como a gastroplastia tipo Fobi-Capella ou bypass gástrico promovem cerca de 84% de melhora do diabetes tipo 2. Procedimentos mais disabsortivos, como o Duodenal Switch ou a operação de Scopinaro são ainda mais efetivos, sendo que aproximadamente 98% dos pacientes ficam livres desta doença após estes procedimentos.

Dados sugerem que a alteração anatômica e funcional (desvio intestinal) provocadas pela cirurgia são os fatores que mais contribuem para a melhora e na maior parte dos casos, normalização da glicose sanguínea.